Translate

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

"O Eterno Provisório"




1. INTRODUÇÃO:


"Tudo me é massa, eu sou massa em mim mesmo, meu devir é minha própria matéria, minha própria matéria é ação e paixão, sou verdadeiramente uma massa primordial."

"A massa perfeita é então o elemento material primordial do materialismo (...), de um barro primitivo, apto para receber e para conservar a forma de qualquer coisa. (...) este é o destino de todas as imagens fundamentais."

(A Terra e os devaneios da vontade, p.64-65).




"Para não ser apenas mundo, é preciso que o homem dê forma à matéria; para não ser apenas forma, é preciso que dê realidade à disposição que traz em si."

(Schiller, in: A angústia da concisão, de Abrahão Costa Andrade, p.115).



De fato, traduzir uma idéia ou o que se espera de um ideal, sempre foi (em todos os tempos) busca incessante do elemento humano sobre a Terra; Terra esta, em que de uma maneira bastante significativa, é representada neste relatório.
A terra e a sua transformação (ou formação) a partir de um ideal... A argila como suporte de uma idéia...

Por tarefa ideal deve-se compreender o esforço de todo homem em realizar em toda sua completude aquilo a que ele se destina: satisfazer em si tanto as exigências da razão quanto as da sensibilidade.
O desafio de se traduzir uma idéia através do barro, neste momento da minha existência, veio permeado (não por acaso) do pensamento Schilleriano, que interpreta este impulso da criatividade (que alimenta o saber fazer), como vital. O elemento primordial do impulso sensível seria a vida, já o segundo impulso seria a forma... E a Beleza seria ela mesma a forma viva.

O barro é terra viva, por isso também, é Belo per si. Tratá-lo, purificá-lo, aprimorá-lo, talvez fossem termos mais adequados para caracterizar a tentativa de traduzi-lo em forma, condicioná-lo a uma idéia. Idéia esta, furtada de um outro suporte de idéias (um espetáculo de teatro) que por sua vez furtou-a de um suporte anterior, a música...
E assim viajam as idéias; se propagam através das pessoas, que se propagam através das idéias. E assim viajam as pessoas; se propagam através das idéias que se propagam através das pessoas...

O eterno provisório, que é o nome-idéia desta obra, utiliza-se de uma outra: O som da pessoa, reunindo idéia e pessoa (razão e sensibilidade), traduzidos num só suporte (a massa), numa tentativa coincidente da realização da proposta do pensamento utópico-revolucionário de Schiller: harmonizar os pólos nascidos da cisão provocada pela filosofia crítica (culminando na contemporaneidade); razão e sensibilidade.


2. OBJETIVOS:


2.1 TÉCNICOS:


° Aprendizado do processo de como se obtém a massa (limpeza e preparação) para modelagem e cocção de um artefato de argila (barro).


° Experimentação de mistura da massa preparada com materiais orgânicos e/ou minerais.


° Observação dos resultados plásticos (cor, maleabilidade, textura, peso e resistência) da massa obtida a partir das misturas praticadas e a sua utilização para a confecção da peças idealizadas.


° Desenvolvimento e aprimoramento técnico na modelagem e confecção das peças em quatro técnicas distintas: modelagem livre, rolinho, molde e placa.




2.2 ARTÍSTICOS


° Estimular a capacidade criativa para desenvolver os objetos e suas formas, aplicando as técnicas supracitadas em suas confecções, podendo os mesmos formar uma mesma composição (temática) ou não.


°Aumentar a percepção sobre a argila e suas qualidades semânticas, a consciência e o valor da cerâmica, enquanto atividade artística e cultural.


°Neste caso em particular, desenvolver a cerâmica nestas técnicas, enquanto suporte de uma idéia.



3. DESENVOLVIMENTO:



3.1 PREPARAÇÃO DA ARGILA:


Recebemos um fardo de 20 kg de argila vermelha (rica em óxido de ferro e por isso a coloração avermelhada após a cozedura e o baixo ponto de fusão: 900° C), e começamos inicialmente com a "limpeza", para retirar possíveis substâncias orgânicas ou não, para uma melhor homogeneidade na textura e composição da massa básica (cerca de três dias de duração).

Inicialmente com a ajuda de um fio de nylon, cortamos em fatias finíssimas e horizontais, a peça de argila. Em seguida repousamos estas fatias em placas de madeirite para a secagem, expondo ou não ao sol (cerca de quinze dias de duração).
Depois de secas ao ponto de quebrarem, moemos esta argila com as mãos ou com a ajuda de qualquer objeto que pudéssemos bater sobre a argila seca e moê-la (cerca de três dias de duração).
Após a argila em minúsculos pedaços, dividimos a mistura em 4 partes proporcionais e separadamente, hidratamos novamente a moagem com água, dissolvendo-a até virar uma barbotina (mistura de argila mais espessa que a lama) em um balde de 8L.
Em seguida peneiramos a mistura para separação de partículas indesejáveis (pedrinhas, farpas de madeira e resquícios de manguezal) e deixamos o conteúdo repousando no balde até a completa decantação (cerca de um dia).




3.2. PREPARAÇÃO DAS MASSAS:


Após a retirada do excesso d'água da mistura, e obtendo a barbotina para a preparar a massa básica (argila pura), deixei uma desta forma e misturei em outras três partes diferente, as outras matérias para experimentação:

° Pó de café coado e seco (30%) e argila (70%)

° Pó de serra pedaços irregulares (20%), argila (70%) e chamote (10%)

° Papel higiênico dissolvido em água (20%), argila (70%) e carbonato de cálcio (10%)

° Além de um pouco de argila cinza (com menor percentual de óxido de ferro, para obtenção de uma cor mais esbranquiçada após a queima), para a confecção de alguns itens que proporcionassem contraste entre as cores das cerâmicas após o cozimento.

° Separei algumas fatias do fardo da argila antes da secagem do início do processo, para deixá-las in natura, com o intuito de não destruir as nuances de tonalidades naturais do próprio barro, que se perdem por causa da limpeza. E para compor a obra desta forma.

Em seguida, distribuímos cada uma destas misturas sobre uma base de gesso, para que o restante da água fosse absorvido, restando apenas a mistura ao ponto de massa, de fácil modelagem, sem grudar ou deixar excessos nas mãos (dura cerca de um dia, a depender do volume da massa e do clima).

Retiradas das bases de gesso, cada massa é amassada e sovada, para uma melhor homogeneização, e retirada de possíveis bolhas de ar (desaconselháveis, pois estouram a peça quando vai ao forno). Envolvêmo-las em sacos plásticos a fim de retardar a secagem e conservar a sua plasticidade por mais tempo.


3.3 CONFECÇÃO DAS PEÇAS:


A escolha dos materiais para preparar cada massa teve o pressuposto da idéia de desenvolver objetos, que traduzidos para uma forma próxima ao natural (realista/ naturalista) pudessem também representar e serem compostos daquilo que, enquanto função, se lhe assemelham. Ex: xícara e pires de café, confeccionados com a massa com café.


3.3.1 OBJETOS COM MOLDE:


MÃO:
Inicialmente fizemos uma forma da minha própria mão (esquerda), em gesso, para depois de pronta, receber a argila cinza (cerca de 3 mm de espessura), após o seu endurecimento atingir o ponto de couro, esta foi retirada e reconstituída com auxilio de um palito de madeira.( cerca de 2 semanas).







PIRES:
moldado em um pires de vidro envolvido em plástico filme, utilizei a massa com café (4 mm de espessura), após a secagem, foi retirado e polido (cerca de 2 dias).





3.3.2 OBJETOS EM MODELAGEM LIVRE:


MAÇÃS:
Confeccionei 2 maçãs, uma com a massa c/ pó de serra e outra com a massa c/ pó de café. Após confeccionadas, foram divididas em banda (corte na vertical) com a ajuda do fio de nylon, ocadas com a ajuda de esteco e coladas novamente "riscando" a superfície das metades reunidas com uma agulha, em seguida aplicada a barbotina das mesmas massas de origem por toda a extensão do corte na peça, alisadas até obetrem a textura uniforme de origem. A maçã com pó de serra foi polida com pedra, ao atingir o ponto de couro.






BANANA:
Esta peça foi sovada várias vezes contra a mesa, num mesmo sentido, para retirada de possíveis bolhas de ar da massa pura, até se "parecer" com uma banana realista. Detalhes finais com ajuda de uma faca.








BASE PARA A MÃO:
confeccionada com massa c/ café. Pela sua leveza e efeito craquelado.









CINZEIRO:
Confeccionado com a massa c/ pó de serra e pintado com barbotina de argila cinza, contrastando branco com laranja após a queima.






CONTAS:
As contas redondas foram feitas com as massas de café (uma parte) e massa pura (outra parte). Algumas pintadas com barbotina cinza.







3.3.3 OBJETOS EM PLACA



XÍCARAS:
Feitas em massa c/ café, em placa e finalizadas com fundo e asa (rolinho); as extremidades da placa depois de unidas foram riscadas com ajuda de agulha e coladas com barbotina da massa de origem, depois uniformizadas (superfície lisa). Receberam pintura de barbotina cinza, com a intenção de contraste de cores na mesma peça.






PLACA DA POESIA:
Feita com a paper-clay (massa c/ papel), com ajuda um rolo para massas, abrimos a mesma na régua para placas (em sala de aula), que após aberta, foi alisada com a ajuda de um cartão de plástico e umedificada com uma bucha p/ pratos, teve suas bolhas perfuradas com agulha, com a intenção de liberar o ar preso à massa, livrando a peça de possíveis danos durante a queima. Escrita feita com ajuda de um palito p/ churrasco.








FOLHA DE PARREIRA:
Massa c/ café aberta em placa (da forma supracitada), aplicada sobra a superfície, uma fina camada de barbotina massa cinza (para contraste de cores) e em seguida, aplicada uma folha de parreira natural, para impressão de sua textura na face superior da peça, que após ter sido recortada com a ajuda de uma faca em mesmo formato, foi retirada.







3.3.4 OBJETOS EM ROLINHO



PINCÉIS:
Feitos com massa c/ pó de serra, depois de "rolada" a massa até obter o formato desejado, modelei-os com a ajuda do palito de churrasco.






CIGARROS:
Modelados com massa c/ pó de serra, pintados com barbotina de argila cinza, para contraste de cores.






LUMINÁRIA:
Sobre uma bola de plástico, previamente forrada com jornal, a fim da massa não grudar na superfície da bola, Rolinhos de massa pura foram aplicados sobre a estrutura aleatoriamente e emendados uns aos outros pelas extremidades, após serem riscados, com barbotina da massa de origem. Foram alisados, e quando atingiram ponto de couro, esculpidos com ferramentas para massa biscuit. Subtraídos até atingiram a forma desejada. Após este processo, teve a base (bola) retirada.







3.3.5 TENTATIVAS:



LUSTRE:
Existiu uma tentativa anterior de construir o lustre, que não teve sucesso porque a aplicação da massa foi diretamente sobre a bola de plástico, então à medida que a massa ia secando e naturalmente perdendo volume, por estar grudada na bola e esta não diminuir gradualmente com a massa (pela pressão atmosférica interna), a estrutura fragmentou-se em diversos pontos.
O problema foi solucionado forrando a bola antes de aplicar a massa, com folhas de jornal e fita crepe, e na medida em que a massa secava, diminuindo de tamanho gradualmente, furamos a bola para que diminuísse um pouco o seu volume (a fim de não comprometer a estrutura da peça), mas sem retirá-la de dentro da estrutura do lustre (manobra que ocorreu um pouco antes da queima da peça). Fora isso, o diâmetro dos rolinhos foi maior que os da peça anterior, já que as figuras aparentes no lustre, foram alcançadas através da subtração do barro.






MÃO:
A mão foi feita a partir de uma fôrma de gesso, confeccionada em classe, e a primeira tentativa denunciou vários pontos de prisão da massa na forma, fora isso, a massa inicialmente usada foi a misturada com café, que durante a secagem, apresentou várias fissuras na superfície, inabilitando a peça de ser,tanto retirada adequadamente da forma, quanto de representar a textura ideal para esta peça.

O problema foi solucionado alargando a abertura da fôrma raspando-a com uma faca, eliminando as possíveis prisões, mas sem danificar o potencial de reprodução de uma mão, da fôrma de gesso e, mudando a massa (foi usada a massa pura, cinza) para uma maior plasticidade no acabamento final da peça. Confeccionei duas mãos, uma mais fina, com uma camada de massa menos espessa, e outra com maior quantidade de massa.






MAÇÃS:
duas maçãs foram confeccionadas com massa diferentes a título de experiência, para perceber a diferença entre as texturas dos objetos produzidos. Uma com pó de serra e posteriormente polida com pedra, e a outra com café, que ganhou uma aparência de envelhecida, após a queima.







4. CONCLUSÃO:

Esta atividade, apesar de desafiadora, foi bastante prazerosa, visto que o contato com o barro, em todos os procedimentos supracitados, foi bastante gratificante, despertado em nós a sensação de já conhecer este ofício desde sempre, mesmo sendo a primeira vez do um contato mais ostensivo (com proposta de preparação e produção de peça, sujeitos ao tempo e à avaliação da disciplina).

Desafiadora primeiramente pela necessidade de se ter uma idéia para construir; e em seguida, ter técnica e conhecimentos sobre o material trabalhado para executar a idéia satisfatoriamente. Principalmente esta última questão, foi resolvida com a excelente orientação da professora Sarah Allelujah, que nos orientou e interferiu em momentos estratégicos da produção de cada item, além da queima das peças, que só foi possível graças a ela.







5. REFERÊNCIAS:

SCHILLER, in: Angústia da concisão, Abrahão Costa Andrade, coleção Ensaios Transversais. Ed. Escrituras, São Paulo. 2003

Fotos:
Carol Dávila
Tony
Eduardo
Sarah Hallelujah
Morgana Dávila

domingo, 13 de fevereiro de 2011

...que é pro mundo ficar Odara, pra ficar tudo jóia rara.

Psyche



I'm looking for you in the woods tonight, I'm looking

Looking for you in my flashlight
, I'm searching

From in the high or down the ocean

And I face myself in raising

Gain the wolf, Gain the wolf

Conjure me as a child

Slipping down a webside

Stretch up I cannot reach him

Jumping up they drag him from the water

I watch them marching into life

I watch them taking from the pain

Into the sky for your eagle eye

The sun seeds, a sickle and a scythe

Ridicule they won't allow

Quench abuse and let love flower

Rip the cage out of your chest

Let the chaos rule the rest

Show without showing


What you know without knowing


Twigs snap eye / I catch no canoe only you and me

Alone on the old tea hope sea

Dissolving who we are

Call out for yesterdays destiny gone

We're on a foreign shore

It was a mark of falling

I was the car still running

And when you call i'll be a shield for life

And if you feel it you will fly

The sun, sad, begged me

And I was set to fall in

As I was set to fall in

As I was set to fall in...





Mais uma versão "difudê"